Em estruturas de poder, há decisões cuja necessidade é amplamente reconhecida, reestruturações, substituições ou extinções mas que permanecem sem execução ou anúncio. Não por desconhecimento ou falta de diagnóstico, mas por escolha consciente, ancorada em conveniências políticas ou executivas, que prolonga a disfunção e preserva equilíbrios invisíveis.
Este critério tácito consome recursos, prolonga a ineficiência e corrói a legitimidade da liderança. A OECD identifica a manutenção deliberada de estruturas obsoletas como uma das formas mais subtis de fragilizar instituições, criando uma governança informal que opera sem responsabilização clara. E, como demonstram March & Olsen na Logic of Appropriateness (2006), decisões não declaradas moldam a ação tanto quanto as formais mas sem o escrutínio que garante a sua legitimidade.
Em sistemas onde a lei impõe a publicação formal dos critérios, como na Noruega ou na Dinamarca não se elimina a possibilidade de falha, mas eleva-se de forma significativa o limiar de transparência e reduz-se drasticamente o espaço para decisões que permaneçam invisíveis.
O poder mais resistente é, muitas vezes, o que se mantém invisível.
Fragmentos críticos sobre os silêncios que moldam a tomada de decisões.